
Para muitos falar sobre sexo ainda é tabu, para outros é expor intimidades, ou trocar experiências, ou se autoconhecer, ou simplesmente sentir prazer... Teorias sobre o tema não faltam: hipóteses repressivas, sexo como reforçador primário, diferença sexual como formadora da subjetividade e da cultura, complexos originados em interditos sexuais, entre tantas outras.
No meu cotidiano acadêmico e clínico, é inevitável o questionamento de muitas destas teorizações, justamente por eu considerar o sexo um dos direitos humanos fundamentais. Não, não quero com isto dizer que sexo é fundamental (tudo depende do ponto de vista e da história de vida de cada um). Mas o direito à livre escolha e à igualdade de acesso à saúde, ao livre exercício da sexualidade e da reprodução humana, sem discriminação, coerção ou violência SIM.

Por incrível que pareça, foi mais fácil conversar com ele do que argumentar com alguns psicólogos que, no exercício de suas funções, redigem relatórios contrários à homoparentalidade por não existir, segundo eles, a tal diferença sexual supostamente necessária para a criação de uma criança saudável. Ou então com alguns profissionais da saúde que não permitem o acesso às novas tecnologias reprodutivas a pessoas sem parceiros sexuais. Vale lembrar que, com as técnicas de reprodução assistida (a inseminação artificial, a fertilização in vitro, a ICSI), procriar deixou de depender do encontro sexual de um homem e de uma mulher. Sexo e reprodução, definitivamente, foram separados.
